Entrevista de emprego: 7 dicas para se destacar da concorrência

A pessoa passa meses fora do mercado de trabalho. Finalmente é chamada para uma entrevista de emprego. O coração acelera, a mente viaja nas possibilidades da nova colocação, e a ansiedade se torna amiga constante até o dia marcado.

Que roupa usar? O que falar? Será apropriado perguntar sobre o salário? Quando se depara com a sala cheia de candidatos, a pessoa analisa em sua imaginação o que eles têm a mais do que ela. Repara na roupa da candidata do lado, verifica as unhas da candidata de trás. Olha bem para o perfil intelectual do candidato à frente.

A autoconfiança definha em meio à sala repleta de concorrentes. Mas ela se sente preparada. A hora do emprego chegou. Sabe bem o que vai dizer se perguntarem o que ela quer fazer dali a cinco anos. Também já sabe o que falar se questionada sobre como pode colaborar com a empresa. Está pronta para falar dos seus pontos fracos e fortes.

Finalmente, entra para a entrevista.

Os avaliadores questionam: “Se você fosse um animal, que animal seria e por quê? A pessoa estranha, gagueja, se sente constrangida, corada e por fim, fala o primeiro bicho que vem a mente, sem conseguir justificar o motivo.

Passa rastejando pelas próximas perguntas. Tinha lido tanta coisa sobre como passar em uma entrevista de emprego e agora estava completamente perdida. As mãos suam, a barriga gela, mal consegue sorrir. Agradece a oportunidade e volta para casa.

Fica dias sem ter notícia sobre a vaga. Às vezes, recebe um telefonema de retorno. Às vezes, motivada pela ansiedade, entra em contato para descobrir que a vaga de emprego já foi preenchida.

Quem nunca passou por nada semelhante a essa situação talvez nunca tenha precisado procurar emprego.

Num país, cuja taxa de desempregados (pessoas com emprego formal) é de cerca de 12,960 milhões de pessoas, e no qual, o mercado formal se torna cada vez mais exigente, é natural que a maioria das pessoas se sinta intimidada diante de um processo de seleção para uma vaga de emprego.

Há certas atitudes e comportamentos, porém, que podem se tornar a diferença entre uma entrevista bem sucedida e um total fracasso. Listamos aqui algumas dicas importantes do que fazer nessas ocasiões.

1º - Consiga a entrevista

Em primeiro lugar, antes de sofrer pensando como passar em uma entrevista de emprego, consiga a entrevista. Como? Sendo sua própria agência de emprego, apresentando suas melhores características para a vaga em aberto.

Têm pessoas que utilizam, a vida toda, o mesmo currículo para uma série de vagas diferentes, com informações que, muitas vezes, sequer são pertinentes para as exigências do cargo.

O melhor a fazer (e isso dá trabalho) é adequar seu currículo para cada vaga pretendida. Em hipótese alguma, isso significa mascarar habilidades e/ou inventar formação. Pelo contrário, quanto mais honesto você for, mas chances você tem.

Reestruture seu currículo de acordo com o cargo, apresentando em primeiro lugar (em destaque) as informações que têm mais relevância para a vaga em questão e que podem vir a somar e contribuir com a empresa.

Nessa página, você encontra as dicas para elaborar o currículo. Depois de pronto, basta organizar as informações. Retirar excessos e direcioná-lo de acordo, pensando sempre no que, dentro das suas habilidades, você pode oferecer para a empresa.

2º - Seja você mesmo

Esse, sem dúvida, é o ponto mais importante de todo processo de seleção. Para a headhunter e orientadora de carreira, Ângela W. Lima, que tem mais de 30 anos de experiência em gestão de pessoas e atua com o desenvolvimento de líderes na Vale Emprego, “conseguir um emprego é como casar com a empresa”.

A pessoa terá um relacionamento de longo prazo, então o melhor é que seja sincera desde o início. “Se você realmente possui as competências técnicas e comportamentais inerentes à vaga, será escolhido, senão precisará paquerar outra empresa”, explica.

Muitas pessoas, nessas situações, tentam parecer melhores ou diferentes do que são, para se destacarem ou por puro nervosismo. Acabam passando uma imagem que não é reflexo da sua verdadeira essência. Assumem comportamentos alheios, que ao invés de ajudar, prejudicam perante o recrutador.

Não adianta, se a empresa quer um perfil de colaborador, somente se você tiver esse perfil, atenderá ao cargo. Então, em qualquer circunstância o melhor a fazer é manter a calma e ser o mais tranquilo e sincero possível.

Não entre em pânico! Relaxe. Aja naturalmente. Esqueça as respostas prontas, pense no que o recrutador está perguntando e responda como você responderia se estivesse em outra situação, com cordialidade e um toque de simpatia.

Lembre-se, você não está concorrendo a uma vaga no Céu. Se não for dessa vez, haverá uma próxima e se não for da próxima, sempre existe um plano B para cada um.

Portanto agir com naturalidade é fundamental! Uma hora você consegue! Você! E não um outro que você tenha inventado para passar pela ocasião.

3º - Pontualidade e apresentação

Toda situação social, demanda certo tipo de convenção e respeito. Numa entrevista de emprego, isso não é diferente. Ser pontual e se apresentar bem (sendo você mesmo, é claro!) são regras básicas de qualquer processo seletivo. O contrário pode parecer desleixo e descaso com o trabalho.

Não se atrase para uma entrevista de emprego. Caso ocorra algum imprevisto no trajeto, entre em contato com a empresa e avise.

Vista-se adequadamente, sem exageros. Embora hoje em dia as empresas estejam mais abertas ao visual de seus colaboradores, há ainda empresas que levam muito em conta a aparência na hora da contratação.

Não é necessário colocar uma roupa de gala ou salto quinze (a menos que você use isso costumeiramente), mas é preciso cuidar para não cometer algumas gafes no visual. Roupas decotadas e curtas, camisetas estampadas demais, ou mesmo terno para uma vaga de office boy podem ser indícios de escolhas erradas.

O ideal é analisar a vaga que se pretende e pensar qual seria o padrão de vestuário para o exercício do cargo. É sim possível dar um toque pessoal e levar em conta o próprio estilo, mas usando também o bom senso. Sua aparência deve mostrar o respeito que você tem pelo ambiente de trabalho.

4º - Adquira informações (conheça as perguntas e respostas)

Esse é outro ponto fundamental. De acordo com Ângela, entre os piores comportamentos que uma pessoa pode ter durante uma entrevista de emprego, não estar preparado para a vaga é um deles. O candidato precisa saber falar sobre a empresa e sobre o seu diferencial competitivo.

Comece a obter informações a partir do momento que receber a comunicação de que está no processo seletivo. Se a comunicação for por telefone, agradeça a oportunidade e pergunte como será o processo: se haverá entrevista ou dinâmica de grupo, se haverá uma única etapa ou várias.

Essas informações já deixarão o candidato à frente, sabendo o que o aguarda.

Depois, pesquise melhor sobre a empresa, entre na Internet, busque notícias, leia os princípios e propósitos da organização, conheça os produtos e serviços que ela oferece.

Pense em como você se adequaria ao cargo e como suas habilidades podem colaborar.

Se possível, também conheça o recrutador. Pelo nome da pessoa que fará a seleção, é fácil verificar no Linkedin da empresa um pouco do seu perfil. Essas informações prévias ajudam qualquer candidato a se sentir mais confiante e saber como agir em uma entrevista de emprego.

Por fim, conheça as principais perguntas e respostas possíveis durante uma entrevista. Listamos aqui quatro exemplos de perguntas e respostas mais frequentes para ajudá-lo(a):

 -  Por que devemos escolher você, ao invés dos outros candidatos?

Aqui vale valorizar o perfil profissional, focando em suas capacidades e na forma como poderá trazer benefícios para a empresa.

 - Qual foi a decisão mais difícil que já tomou?

O candidato deve mostrar que, em situações de confronto, tem capacidade de analisar alternativas e consequências e tomar decisões da melhor forma.

 - Como você lida com pressão? 

Uma boa saída nesse caso é dizer que, independente da pressão, se busca lidar com o trabalho, buscando soluções e resolvendo os problemas.

 - Qual sua pretensão salarial?

Deve-se externar a pretensão de acordo com as próprias necessidades, levando em conta a média salarial da profissão e as especificidades do cargo e da empresa em questão.

5º - Fuja dessas armadilhas

Um dos piores comportamentos que um candidato pode ter, durante um entrevista de emprego, é se supervalorizar para o cargo, de acordo com a especialista em carreiras.

É natural que as pessoas tentem se destacar, mas algumas vão além da conta e exageram em características e qualidades que de fato elas não têm.

Desenvolvida, às vezes, a partir desse tipo de comportamento, outra armadilha é a mentira. Todo mundo conhece o ditado “Mentira tem perna curta”, mas ainda há candidatos (também vale para a política) que escolhem essa cilada para querer se dar bem.

Mais cedo ou mais tarde, a máscara cai. O melhor a fazer é ser humilde, sincero e falar a verdade sempre.

6º - Não tenha medo das pegadinhas

As situações inusitadas num processo seletivo acontecem condicionadas à vaga em questão. De acordo com Ângela, muitas empresas usam desses recursos para testar de alguma maneira as competências do candidato. Como por exemplo, deixar o candidato esperando por duas horas para avaliar seu nível de resiliência e paciência, ou dirigir a entrevista sobre pressão para avaliar o estresse do candidato.

Embora, ela afirme que não aprova essas escolhas e que acredita em uma seleção transparente, essas pegadinhas acontecem em muitos processos e causam surpresa à maioria dos candidatos, como a situação hipotética criada no início desse texto.

O melhor a fazer nesses casos é manter o equilíbrio diante do inusitado e buscar a melhor saída. Deixe de lado o envolvimento emocional que a situação possa causar, tente usar a razão para encontrar uma solução para o problema proposto. E lembre-se de ser você mesmo em suas escolhas.

7º - Respeite seus concorrentes

Tal como você, a pessoa do outro lado da sala está no mesmo barco à procura do emprego. Ela também se sente nervosa, ela também tem pontos fortes e fracos. Talvez tenha uma habilidade a mais, outra a menos. Talvez seja mais insegura que você, ou mais decidida.

Quer seja para uma seleção de jovem aprendiz, ou de cargo de chefia, um concorrente nunca deve ser visto como um inimigo.

Respeitar os concorrentes e olhá-los com empatia torna um processo seletivo bem mais fácil e agradável. Se outro conseguiu a vaga, não significa que era melhor que você, apenas que atendia a um perfil que a empresa julgava ser o melhor para ela.

Um concorrente pode vir a se tornar um amigo ou um colaborador. Ao contrário de fuzilar com os olhos alguém que está em um mesmo processo que você, por que não o reconfortar com um sorriso e pegar seu número de celular, para compartilhar com ele alguma oportunidade futura?

“Ah, mas e se ele for contratado e eu não?” Não se preocupe, você ampliou sua rede de networking, fez uma nova amizade e, quem sabe, em breve, possa ser ele a te indicar para a empresa em que está trabalhando.

No final, o que vale é que todos que buscam um mesmo objetivo são humanos, e a dimensão disso não tem limites. Já uma entrevista de emprego é só isso, uma entrevista de emprego e nada mais.